vinte de março
Por algumas infinitas e intermináveis horas me sinto impaciente, como um bebê que chora em desespero, ou como sua mãe… agoniada por não saber o motivo.
As coisas andam surreais. Sinto que possuo algo que não tenho e o pior é que não quero abrir mão disso!
Ando pensando tanto no que realmente vale a pena sentir, ou viver. Normalmente coisas muito evitadas por nós, mesmo que por motivos inconscientes, têm algum significado. Pode ser como uma armadura, uma proteção…
Como algo tão evitado pode nos afetar de tal maneira?
Recapitulo as cenas, revejo o filme três vezes seguidas até pegar num sono rápido… eu mudo a legenda, leio, releio. Tudo parece fazer muito sentido, não fossem os enigmas. E para quê eles existem, afinal?
Qual gênero de história vivi? Comédia, Romance, Drama, foi cinema mudo, preto/branco? Ou uma daquelas histórias de romances despretenciosos, sem intenção ou perspectiva de continuidade. Antes fosse uma trilogia! Daquelas que fazem sucesso.
Acredito com fé que o maior erro cometemos é a maldita expectativa. Tudo questão de esperar a recíproca. Nós não podemos esperar nada! Uma que se queremos devemos tomar alguma atitude dentro de nossa capacidade. Duas que se não der… é bola pra frente.
Ninguém é igual a você. Não espere que sejam seu espelho!
Sempre odiei o “talvez”, ele sempre me causou desconforto, apesar de nunca ter me intimidado.
Impressionante é como estamos acostumados ao ‘instantâneo’. Nada vem de mão beijada e desmerecidamente… nem no seu tempo, ou momento. As coisas fluem, conforme sua energia. A evolução é fundamental, e ela não ocorre sem quedas, fracassos, frustrações! Respeitar as posições e decisões alheias, os espaços de cada um faz parte de viver em uma sociedade e conviver com seres humanos que possuem seus limites, suas vontades e prioridades na vida. Não necessariamente iguais à sua.
Tenho, hoje, a necessidade de ser rasgada, aberta, tenho a ânsia da coerência que venho perdendo… preciso de paz!
É raro, quem me conhece sabe que é difícil me causar encanto e conquistar meu afeto.
Não sou alguém fácil, infelizmente. Nunca me vi, participando de uma fábula, quase que infantil… cheia de mistérios, que você não consegue desvendar no final… um final reflexivo, nunca finalizado.
Não posso esperar nada, além de uma moral, que já está quase sendo descoberta no meu inconsciente.
Eu disse, QUASE!
Renata Siciliano